Manuela Azevedo, a primeira mulher em Portugal a receber a carteira profissional, comemora hoje o seu centésimo aniversário. Ainda me cruzei com ela na redacção do Diário de Notícias, longe de imaginar todo o seu percurso de vida e de dedicação ao jornalismo. Parabéns, Manuela!
Reflexões, dúvidas, desabafos, ilusões e desilusões de uma jornalista portuguesa
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Sexismo no jornalismo
A enviada especial da Sky News à Líbia, Alex Crawford, tornou-se um dos rostos mais conhecidos da cobertura do conflito daquele país por ter sido a primeira jornalista a entrar em Trípoli quando os rebeldes tomaram a cidade de assalto. Sempre com o capacete colocado e o colete anti-balas vestidos, tem-nos relatado o desenrolar da guerra mesmo em cima dos acontecimentos, mesmo que isso signifique estar debaixo de fogo.
Infelizmente, não são muitas as correspondentes de guerra e não deverá ser pelo facto de as mulheres serem menos audaciosas do que os homens. As razões devem ser mais profundas e Alex Crawford tocou numa das feridas, na semana, passado quando foi entrevistada no âmbito do MediaGuardian Edinburgh International Television Festival.
Perguntaram-lhe como é que consegue criar os quatro filhos se está tantas vezes, por períodos tão prolongados, fora de casa e em cenários de guerra. A resposta não se fez esperar: "É insultuoso e muito, muito sexista perguntarem-me isso". Sobretudo por que a mesma pergunta não seria nunca feita a um correspondente de guerra, leia-se, homem.
Esta é, de facto, a realidade. As jornalistas são vítimas das mesmas discriminações que as outras mulheres trabalhadoras (com algumas excepções, como em tudo) apesar de sermos cada vez mais nas redacções. Nesta, como noutras matérias, chega a ser... como dizer... irónico os meios de comunicação social denunciarem casos de discriminação sexual quando o mesmo se passa dentro de portas.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Rádios espanholas em protesto contra a Liga de Futebol
A Liga de Futebol Profissional de Espanha decidiu, este ano, comercializar os direiros de transmissão dos jogos pelas rádios, o que gerou uma onda de protesto por parte dos responsáveis e jornalistas das estações radiofónicas, como dá conta El Mundo.
Uma vez que não concordam com a decisão, alguns jornalistas estão a pagar o bilhete para poder aceder aos estádios ou narram os jogos a partir das redacções com base nas transmissões televisivas. Ontem à noite, as rádios fizeram um minuto de silêncio para protestar contra a nova medida, mas a Liga parece irredutível.
Muitos clubes impediram, este fim-de-semana, os jornalistas das rádios de entrarem nas suas instalações, mas não os das televisões, jornais e portais da Internet.
A batalha agora trava-se a nível jurídico, entre uma Liga que reclama o pagamento dos direitos de transmissão dos jogos de futebol profissional e as rádios que invocam o direito de informar e de ser informado.
sábado, 27 de agosto de 2011
"Secretas espiaram jornalista do Público"
A confirmar-se a manchete de hoje do semanário "Expresso" estamos perante um gravíssimo atentado aos mais elementares direitos de um estado democrático. E esta não deve ser uma preocupação apenas dos jornalistas, mas sim de toda a sociedade. Mesmo sabendo nós que não são apenas os regimes ditatoriais que tentam condicionar o trabalho da comunicação social, cada nova notícia deste género deve colocar-nos ainda mais alerta.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Arte inTRANQUILA
Estas duas fotografias estão no centro de mais um debate sobre o que pode ou não ser admitido numa exposição artística aberta ao público, o mesmo é dizer, até onde devem ir os limites do processo criativo.
A foto da esquerda integra a exposição fotográfica Camerinos e provocou bastantes críticas quando esteve patente no Festival de Mérida, em Espanha, porque atenta contra os valores e a sensibilidade cristãs. E eu que julgava que a tolerância fazia parte do rol de valores cristãos... As duas directoras do certame foram demitidas na sequência da retirada da imagem. Para evitar que a fotografia seja utilizada como arma de arremesso durante a campanha eleitoral de Novembro, o teatro Español decidiu adiar a exibição da mostra para Janeiro, segundo o El País. Esperemos que nessa altura a fotografia já não choque as sensibilidades mais sensíveis.
A segunda imagem representa o cartaz de uma exposição que o artista plástico João Pedro Vale iria apresentar no Espaço Arte Tranquilidade, mas que a Tranquilidade cancelou porque o símbolo fálico lhe causa alguma... inTRANQUILIDADE, segundo o DN. A companhia de seguros sugeriu mesmo que o artista alterasse o tema da exposição "P-Town" (dedicado à homofobia) para outro que tivesse mais a ver com "os valores tradicionais da empresa". Uma empresa que, pelos vistos, não gosta de se adaptar a este novo mundo e muito menos entrar em conflito, quiçá, com sensibilidades mais cristãs.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Jornalistas raptados na Líbia
Poucas horas depois de termos ficado a saber da libertação dos cerca de 30 jornalistas estrangeiros sequestrados ho hotel Rixon, em Trípoli, chega-nos a notícia do rapto de quatro repórteres italianos por homens leais a Muammar Kadafi. Não há provas, mas um acontecimento parece ser consequência do outro.
Há muito que o regime de Kadafi, à semelhança de outros regimes ditatoriais, acusava a imprensa internacional de conspirar contra os seus intentos e de estar ao serviço das forças rebeldes. Controlar ou mesmo exterminar a imprensa é sempre um dos objectivos primeiros deste tipo de regime, que não gosta de ser escrutinado por ninguém.
Há que continuar a lutar por este tipo de práticas e reivindicar o respeito pela vida humana e pelas liberdades individuais e colectivas, como o direito/dever de informar e o direito a ser informado.
Esperemos que estes quatro jornalistas sejam rapidamente libertados, sãos e salvos.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Contra factos não há argumentos
Um estudo realizado pela Universidade Nacional de Singapura concluiu que navegar na internet melhora a produtividade dos trabalhadores e reduz os níveis de cansaço. Algo que, nós trabalhadores já sabíamos, mas que agora podemos reivindicar ainda com mais força junto dos nossos chefes. Não vale a pena bloquearem o acesso às redes sociais ou criticarem-nos por estarmos a navegar durante o horário de trabalho, pois os resultados podem ser contrários aos desejados.
Mas, claro, há que ter em conta que o estudo se refere apenas aos trabalhadores e não àquelas pessoas que têm um local de trabalho em que passam o dia inteiro a jogar à paciência no computador, ao telefone com o periquito e o cão e a cortar na casaca de todas a gente e mais alguma.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Sempre onde a História se faz
Foto: Paul Hacket/Reuters
Uma vez mais, os jornalistas estão onde a História se faz. Mesmo que para isso tenham que suportar a maior das adversidades, viver em condições desumanas ou mesmo colocar em risco a própria vida. Graças ao trabalho, e por que não dizê-lo?, à coragem dos jornalistas, todos nós podemos saber, minuto a minuto, o que se está a passar na Líbia, de que forma se está a escrever mais um capítulo da história da Humanidade.
Retidos no Hotel Rixon, em Trípoli, impedidos de sair pelas forças ainda leais a Muammar Kadafi, fortemente armadas, jornalistas de várias nacionalidades continuam a lutar pela liberdade de informação e a realizar o seu trabalho tão bem quanto possível, ao som dos disparos vindo da rua.
De acordo com o jornal espanhol El Mundo, o dono e os funcionários abandonaram o hotel e deixaram os repórteres à mercê das forças de Kadafi, que por diversas vezes dispararam na direcção do edifício. Mesmo com as persianas brancas corridas, onde escreveram a palavra televisão, e envergando coletes anti-bala, não se sentem seguros. A energia eléctrica é incerta e a água e os alimentos escasseiam.
Mas eles não abandonam o seu posto. Continuam firmes para que nós possamos, minuto a minuto, saber de que forma se está a escrever mais um capítulo da História da humanidade.
domingo, 21 de agosto de 2011
"Os jornais têm o que lá se escreve"
"Os livros têm o que lá se põem, os jornais têm o que lá se escreve. Não se deve acreditar em tudo."
A frase não é minha, mas sim da mãe de Frei Bento, que a terá proferido nos idos anos 20 do século passado e que o filho recordou recentemente numa entrevista dada a Anabela Mota Ribeiro, na revista Pública (24 de Julho de 2011).
Não deixa de ter o seu quê de verdade, mesmo quase um século depois.
sábado, 20 de agosto de 2011
Um caso cada vez mais enCRESPado
Mário Crespo voltou, esta semana, a ser o protagonista de mais um episódio que em nada dignifica a classe dos jornalistas. Na sequência da notícia publicada na edição online do Expresso, na quarta-feira à noite, dando conta de uma alegada abordagem do ministro Miguel Relvas ao jornalista da SIC com o intuito de saber se estaria disponível para voltar a ser correspondente da RTP em Washington, Mário Crespo aproveitou o espaço diário de informação que conduz nas noites da SIC Notícias para desmentir o conteúdo do artigo.
Logo no arranque do "Jornal das 9", tradicionalmente reservado à notícia mais importante do dia, o pivô decidiu negar categoricamente que alguma vez lhe tenha sido feito qualquer convite formal ou informal nesse sentido por parte do ministro que tutela a Comunicação Social ou por qualquer outro membro do governo.
Não conheço Mário Crespo, assim como não conheço Adriano Nobre, o jornalista que assina a notícia do Expresso, mas há nesse caso vários pontos de merecem ser destacados:
1º - A SIC e o Expresso fazem parte do mesmo grupo empresarial - Impresa;
2º - No artigo do semanário há uma citação de Mário Crespo onde este explica que não lhe foi feita "nenhuma proposta formal", mas que muito o "honraria" voltar a ocupar aquele cargo;
3º - Na defesa da honra, no "Jornal das 9", em momento algum Mário Crespo negou que tenha feito estas declarações ao Expresso;
4º - A notícia da alegada saída de Mário Crespo para a RTP foi mencionada no SIC blog;
5º - Este sábado, o semanário Expresso menciona que Miguel Relvas referiu o nome de Mário Crespo aos membros do Conselho de Opinião da RTP, em Julho. Facto que o presidente deste órgão, Manuel Coelho da Silva, não nega ao Jornal de Notícias, embora frise que tal se tenha verificado numa conversa informal .
Independentemente do lado em que esteja a verdade, há dois pontos que em nada abonam a favor de Mário Crespo:
1º - O facto de, em tempos, ter pressionado um membro de um antigo governo PS a intervir na RTP. A denúncia foi feita, em Fevereiro do ano passado, por Arons de Carvalho, ex-secretário de Estado da Comunicação Social numa audição na Comissão Parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura;
2º - Utilizar um espaço de informação, mesmo que conduzido por si, para negar uma notícia publicada num outro órgão de comunicação social é, além de abusivo, claramente anti-ético. Como muito bem sabe Mário Crespo, há formas e espaços próprios para desmentir uma notícia e obrigar um órgão de informação a repor a verdade. Arrogar-se no direito de o fazer desta forma, mostra que Mário Crespo se julga superior a tudo e a todos e que merece um tratamento diferenciado de todos quantos se sintam atingidos por notícias falsas ou caluniosas.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



