A enviada especial da Sky News à Líbia, Alex Crawford, tornou-se um dos rostos mais conhecidos da cobertura do conflito daquele país por ter sido a primeira jornalista a entrar em Trípoli quando os rebeldes tomaram a cidade de assalto. Sempre com o capacete colocado e o colete anti-balas vestidos, tem-nos relatado o desenrolar da guerra mesmo em cima dos acontecimentos, mesmo que isso signifique estar debaixo de fogo.
Infelizmente, não são muitas as correspondentes de guerra e não deverá ser pelo facto de as mulheres serem menos audaciosas do que os homens. As razões devem ser mais profundas e Alex Crawford tocou numa das feridas, na semana, passado quando foi entrevistada no âmbito do MediaGuardian Edinburgh International Television Festival.
Perguntaram-lhe como é que consegue criar os quatro filhos se está tantas vezes, por períodos tão prolongados, fora de casa e em cenários de guerra. A resposta não se fez esperar: "É insultuoso e muito, muito sexista perguntarem-me isso". Sobretudo por que a mesma pergunta não seria nunca feita a um correspondente de guerra, leia-se, homem.
Esta é, de facto, a realidade. As jornalistas são vítimas das mesmas discriminações que as outras mulheres trabalhadoras (com algumas excepções, como em tudo) apesar de sermos cada vez mais nas redacções. Nesta, como noutras matérias, chega a ser... como dizer... irónico os meios de comunicação social denunciarem casos de discriminação sexual quando o mesmo se passa dentro de portas.
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