segunda-feira, 30 de maio de 2011

"Franco foi autoritário, mas não totalitário" (sic)

Em Espanha, como em Portugal, os anos de ditadura estão ainda muito presentes na memória colectiva e são ainda motivo de grandes emoções e discussões. Só assim se percebe que Oliveira Salazar tenha sido eleito o maior português de sempre, num programa lançado pela RTP em 2007, e que no ano seguinte tenham existido grandes manifestações de contestação à abertura de um Museu Salazar em Santa Comba Dão. E que os livros sobre o Estado Novo e as suas principais figuras sejam dos mais vendidos.


Em Espanha, o regime de Franco causa iguais sentimentos contraditórios. Quem não se recorda do processo judicial contra o juiz Baltazar Garzón por querer investigar os crimes cometidos durante o franquismo? A polémica mais recente estalou este fim-de-semana com o lançamento dos primeiros 25 volumes do Dicionário Biográfico Espanhol, obra da responsabilidade da Real Academia da História, financiado pelo Governo espanhol.


A ministra da Cultura, Ángeles Gonzalez-Sinde insurgiu-se contra o facto de a presença de figuras femininas ser escassíssima e considerou que o Dicionário "não se ajusta à realidade". Mas o ponto mais polémico prende-se com a biografia do generalíssimo Franco, que nunca é classificado como ditador. Franco "montó um regime autoritário, mas não totalitário", é apenas uma das frases mais contestadas.


O que me chocou particularmente foi a justificação dada pelo director da Real Academia de História para que nunca seja utilizada a palavra ditador. Para a "gente jovem", que não viveu a época franquista, "diz-lhes mais o termo autoritário do que ditatorial, porque talvez não saibam bem o que é uma ditadura" (dixit).


Por esta ordem de razão, e uma vez que também não viveu aquela época, a "gente jovem" não saberá o que foi o Renascimento, a inquisição, os Descobrimentos, o crash de 1929, as guerras mundias, etc., etc., etc. Argumentos como este são próprios de quem tenta negar os factos históricos e reescrever a História com base em motivações ideológicas e não nos documentos, testemunhos e outras ferramentas que um verdadeiro historiador utilizar no seu mester.

sábado, 28 de maio de 2011

Os 100 anos do voto de Carolina Beatriz Ângelo

Há precisamente 100 anos, uma mulher portuguesa desafiou os poderes instalados e exigiu a inscrição do seu nome nos cadernos de recenseamento das eleições para a Assembleia Nacional Constituinte. Carolina Beatriz Ângelo, médica ginecologista, maior de idade, viúva e mãe de uma filha menor, preenchia os requisitos exigidos pela Lei Eleitoral, mas mesmo assim teve que travar uma luta judicial para que pudesse exercer esse seu direito. António José de Almeida, ministro do Interior do Governo Provisório e grande apoiante das lutas feministas, rejeitou o seu pedido e só após uma decisão judicial favorável, Carolina Beatriz Ângelo pode votar nas eleições de 28 de Maio de 1911. Foi a primeira mulher da Península Ibérica a exercer o direito de voto, mas esta sua ousadia teve um custo: dois anos mais tarde, a Lei Eleitoral foi alterada, passandos a ser eleitores para os cargos legislativos "todos os cidadãos do sexo masculino [...]".


Para assinalar este marco na história dos feminismos em Portugal e, por que não dizê-lo, da democracia, realizou-se hoje o seminário "Percursos Históricos e de Cidadania - Carolina Beatriz Ângelo, 100 anos depois". Uma organização da UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta em parceria com o Grupo de Estudos, Género e Sociedade (CEMRI - Universidade Aberta), Faces de Eva (CESNOVA - Universidade Nova de Lisboa) e APEM (Associação Portuguesa de Estudos sobre as Mulheres).


Uma excelente oportunidade não só para evocar o feito de Carolina Beatriz Ângelo e das feministas portuguesas da primeira vaga, mas também para debater e apontar caminhos para os problemas que ainda hoje as mulheres enfrentam. Tal como há 100 anos, nos dias de hoje, a taxa de desemprego feminina é mais elevada do que a dos homens; os salários das mulheres são mais baixos do que os dos homens, mesmo quando ocupam os mesmos cargos; e os cargos de decisão política, económica, social, académica, etc., são maioritariamente ocupados por homens.


Por estas e outras razões, há que não baixar os braços e continuar a lutar uma sociedade paritária, igualitária e justa. Esta não é uma luta exclusiva das mulheres, mas da sociedade no seu todo, na qual nenhum de nós se deve excluir.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Televisões condenadas a incluir PCTP-MRPP nos debates eleitorais

O Tribunal de Oeiras condenou hoje os três canais generalistas de televisão - SIC, TVI e RTP - a realizarem debates frente a frente com todos os 17 partidos concorrentes às eleições legislativas até ao último dia da campanha eleitoral, dando assim razão à providência cautelar interposta pelo PCTP-MRPP. Segundo a agência Lusa, o Tribunal considerou ilegítima a distinção feita pelas três televisões entre partidos com e sem assento parlamentar e decidiu condenar cada uma delas a uma multa de mil euros por cada dia decorrido desde hoje até 3 de Junho em que "não cumprirem a decisão".


Num comunicado conjunto, as três empresas anunciaram que "vão realizar um conjunto de 16 debates que colocarão este partido [PCTP-MRPP] sempre frente a frente com cada um dos outros partidos". Alertam, contudo, que "esta decisão significa o fim dos debates frente a frente, porque a generalizar-se esta interpretação, tal significaria que para estas eleições, por exemplo, se realizassem um conjunto de 136 debates".


Apesar de para estas eleições os três canais generalistas terem adoptado uma lógica um pouco diferente da habitual, como já escrevi na revista do Centro Europeu de Jornalismo, a verdade é que a desigualdade de tratamento entre os partidos com assento parlamentar e os pequenos partidos se manteve. Numa democracia, em que o sistema de governação assenta no parlamentarismo, é importante que todos os partidos e movimentos cívicos concorrentes às eleições legislativas tenham as mesmas oportunidades para apresentar as suas propostas. Mas é igualmente importante que os representantes desses partidos e movimentos cívicos saibam respeitar e honrar o eleitorado e não insistir em números de circo que em nada abonam a favor de uma democracia plena.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Wikipedia - Património da Humanidade?

O fundador da Wikipedia, Jimmy Wales, revelou esta semana que gostaria que a mais famosa enciclopédia online (que está a comemorar o seu 10º aniversário) fosse o primeiro site a integrar a lista do Património da Humanidade da UNESCO, tendo já lançado uma página de apoio à candidatura.


Todos nós reconhecemos o trabalho que foi desenvolvido ao longo da última década e de que forma a Wikipedia alterou os nossos hábitos de procura de informação. Todos nós, mais ou menos frequentemente, já consultámos a Wikipedia para esclarecer dúvidas, procurar dados desconhecidos sobre determinado assunto ou mesmo para complementar trabalhos. Inclusive nós, jornalistas.


O facto de os textos poderem ser editados por qualquer pessoa e de a empresa ter lançado o Wikinews  fez com que alguns teóricos da comunicação começassem a falar em "wikijornalismo". Mas o que parecem ser os seus pontos mais fortes são também as duas maiores fraquezas. Vários erros factuais já foram detectados em diversos textos. Em conversa recente com um colega do Brasil fiquei a saber que a imprensa está proibida de utilizar a Wikipedia como fonte de informação precisamente por causa destes erros.


Desconheço se esta prática foi proibida em mais algum país, mas a recolha de informação, principalmente por parte de quem tem responsabilidades sociais, deve ser sempre o mais cuidadosa possível. Recordo-me de há uns anos ter feito uma reportagem numa escola de Lisboa onde os alunos são incentivados a utilizar a Internet como fonte documental, mas onde os professores têm também o cuidado de lhes ensinar a encontrar os sites mais fidedignos e a despistar aqueles nos quais não devem confiar. Num mundo cada vez mais globalizado e onde as fontes de informação tendem a multiplicar-se, esta é, sem dúvida, uma necessidade cada vez mais premente.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Cristiano Ronaldo e as fotografias do filho

Desde o início da semana que uma das notícias mais badaladas nos media europeus tem sido a presença de Cristiano Ronaldo e da namorada, a modelo Irina Shayk, na Madeira. As atenções têm-se concentrado no casal e no filho do jogador, cujas fotografias foram publicadas por muitos órgãos de comunicação social sem que o seu rosto surja distorcido.


A protecção da identidade e imagem de menores pela imprensa tem sido uma luta por parte de várias instituições, mas nem sempre as recomendações são seguidas pelos responsáveis dos órgãos de comunicação social. Muitas vezes, preferem sujeitar-se ao pagamento de coimas do que perder a possibilidade de vender mais uns quantos exemplares.


No caso do filho de Cristiano Ronaldo, o jogador fez saber hoje, através do seu advogado, que irá agir judicialmente contra os media que divulguem imagens não distorcidas da criança. As únicas excepções foram o Jornal de Notícias e o Correio da Manhã. Num comunicado divulgado pelo advogado, e citado pela agência Lusa, o futebolista reitera que "não autoriza a realização de quaisquer fotografias ou filmagens, e muito menos a sua divulgação mediática, em que conste a imagem do seu filho".


Mais do que uma imposição de uma estrela de futebol, o que está em causa é a privacidade e a protecção da imagem de uma criança e a responsabilidade social que os meios de comunicação social também devem assumir.

terça-feira, 24 de maio de 2011

O vídeo do dia

As redes sociais reflectem o que de melhor e pior há no mundo. Os grandes feitos humanos, mas também as maiores atrocidades que o Homem comete contra o seu semelhante e o planeta. O vídeo colocado no Facebook e hoje notícia em todos os meios de comunicação social é disso exemplo.


O vídeo que circula na Internet, onde se vê duas adolescentes a agredirem violentamente uma rapariga de 14 anos, sob a passividade de uma plateia, leva-nos a reflectir até que ponto não deveria existir uma supervisão mais rigorosa e atempada por parte dos gestores dessas mesmas redes sociais. O Youtube, onde o vídeo foi também colocado, retirou-o do ar, por que o conteúdo violava os Termos de Utilização, mas só depois de o caso ter sido noticiado pelos media. Segundo a revista Sábado, o autor da gravação acabou por retirá-lo da sua página do Facebook, mas o vídeo já se tinha espalhado pela rede. As redes sociais têm este duplo efeito: ao mesmo tempo que ajudam a propagar o que de pior há no Homem, ajudam-nos a reflectir sobre essa mesma realidade e, desta forma, caminharmos rumo a um mundo, esperamos, melhor.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Insultos e ameaças

Não se trata de um exclusivo português, mas num país democrático, que tem consagrada na sua Constituição a Liberdade de Imprensa e de Expressão, o caso é ainda mais preocupante. Numa altura em que os partidos políticos estão em campanha eleitoral e esgrimem os mais variados argumentos para colher o maior número de votos do eleitorado, há quem, dentro das máquinas partidárias, se arrogue no direito de dizer aos jornalistas de que forma devem fazer o seu trabalho e de os ameaçar e insultar. O caso é ainda mais grave quando esse alguém já foi jornalista. Esta atitude, por si só, mostra traços de arrogância e autoritarismo de um membro de um partido que quer ser o próximo governo de Portugal.

sábado, 21 de maio de 2011

Twitter no centro da polémica na Grã-Bretanha

É a mais recente discussão na Grã-Bretanha e põe em confronto dois direitos fundamentais: o da liberdade de expressão e o da protecção da vida privada. Em Dezembro do ano passado, o Lord Chief Justice, o responsável máximo pelos tribunais de Inglaterra e do País de Gales, autorizou que os jornalistas pudesse reportar em directo o que se passava nas sessões referentes a alguns processos judiciais através do Twitter, e-mail ou outras ferramentas de transmissão de mensagens de texto. A única excepção eram os casos em que essas informações poderiam influenciar as testemunhas. Aos meios de comunicação social bastava solicitar autorização ao juiz responsável por cada processo.


O problema é que as regras não estarão a ser cumpridas. O caso tornou-se polémico depois de várias mensagens colocadas no Twitter alegadamente divulgarem o nome de um jogador de futebol da Primeira Liga inglesa que tem um processo a correr em tribunal contra uma antiga concorrente do Big Brother inglês, com quem terá tido uma relação extra-conjugal. Nos documentos judiciais, o futebolista é identificado pelas siglas CTB, que conseguiu autorização do tribunal para que o seu nome não fosse divulgado pelos meios de comunicação social . Há suspeitas de que a primeira de todas as mensagens referentes à identidade do jogador tenha sido colocada no Twitter por um meio de comunicação social através de uma conta falsa.


O Lord Chief Justice já veio a público dizer que "as tecnologias modernas estão totalmente fora de controlo", tendo emitido um mandado de busca contra a empresa americana responsável pelo Twitter, para que esta ceda todos os dados referentes aos utilizadores que estão a divulgar estas informações confidenciais. Este caso vem demonstrar que embora seja possível regular e controlar os media tradicionais, o mesmo não acontece com os chamados social media, relançando o debate sobre se devem ou não existir leis sobre o mundo virtual à semelhança do que acontece no mundo real e a criação de um corpo de polícia especial que vigie o ciberespaço. 

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Da liberdade de expressão

Embora consagrada constitucionalmente, a liberdade de expressão não é um direito de fácil explicação. Será que a liberdade de expressão me dá a faculdade de dizer tudo o que penso sobre qualquer pessoa em qualquer lugar? Não penso que assim seja. Mas também não defendo que o direito à honra e ao bom nome possa ser argumento para impedir o exercício da liberdade de expressão só porque o visado se sentiu atingido. Este é muitas vezes o argumento utilizado quando alguém não gosta de algo que foi dito na imprensa.

Vem tudo isto a propósito de uma conferência sobre a Jurisprudência no Tribunal Europeu de Direitos do Homem (TEDH), que teve ontem lugar em Lisboa. Em declarações à agência Lusa, Francisco Teixeira da Mota, advogado do jornal Público, referiu que Portugal já foi condenado 13 vezes pelo TEDH por violação do direito à liberdade de expressão nos últimos 11 anos.


"Essencialmente, os casos são à volta de condenações a jornalistas ou políticos à volta de críticas políticas e de expressões violentas e contundentes utilizadas, como aldrabão ou grotesto", exemplificou. "São expressões que os tribunais portugueses consideraram que deviam criminalizar, mas que o TEDH considerou que no âmbito do debate político, e sendo sobre figuras públicas, estavam protegidas pela liberdade de expressão".


Presente na mesma conferência, o ministro Alberto Martins disse: "Deve ser feita uma articulação proporcionado dos dois valores, tendendo para uma valorização mais determinante da liberdade de imprensa como instrumento fundamental de uma sociedade democrática".


Acrescento que é também importante que a classe política portuguesa (porque é desta sobretudo que se trata) não tome determinados qualificativos como sendo ataques pessoais, mas sim, aquilo que verdadeiramente são, políticos. Infelizmente, há alguns políticos que tendem a confundir os dois planos.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Quando a mensagem não agrada...

A minha colega da TSF Dalila Monteiro foi ontem insultada e intimidada fisicamente por adeptos do Sporting de Braga, quando tentava recolher as suas opiniões a propósito da final da Liga Europa contra o F.C. Porto. De acordo com o comunicado do Conselho de Redacção da TSF, esses adeptos acusavam esta rádio de fazer um trabalho parcial. O caso foi prontamente condenado pelo Sindicato dos Jornalistas, que lamenta que "eventuais discordâncias pela orientação de órgãos de comunicação social se manifestem sob formas violentas e directamente contra profissionais de informação" e por todos os jornalistas.


Todos nós, profissionais da informação, já sentimos uma ou outra vez esta forma de agressão (verbal ou física) porque determinada pessoa ou grupo de pessoas não concorda com a linha editoral do órgão de comunicação social para o qual trabalhamos. A área do desporto é das mais propícias a este tipo de situações. Recordo-me que, quando acompanhei o dia-a-dia do Belenenses na altura do caso Meyong, os jornalistas eram mesmo pessoas non grata no Restelo e chegámos mesmo a ser maltratados por vários adeptos. Como se os jornalistas fossem os culpados de tudo o que se estava a passar.


Na maioria dos casos, são insultos feitos por pessoas que consideram a violência a única forma de se resolverem diferendos. Quando lhes sugerimos que deveriam telefonar ou escrever para o órgão de comunicação social e apresentar a queixa, ainda somos mais insultados. Este é um daqueles casos em que quando a mensagem não agrada, o melhor mesmo é matar o mensageiro.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Dominique Strauss-Khan

O que mais tem chocado os franceses no caso Dominique Strauss-Khan não é tanto o facto de este estar formalmente acusado de tentativa de violação de uma mulher, mas a forma como a justiça americana e os meios de comunicação social o têm apresentado em público. As imagens de um Strauss-Khan cansado, com a barba por desfazer há vários dias e algemado estão a correr mundo e isso tem chocado o povo gaulês.


Uma das vozes mais críticas tem sido a de Bernard-Henry Lévy (amigo pessoal do antigo homem forte do FMI), que no seu blogue escreveu: "O que sei é que nada no mundo autoriza que um homem seja assim atirado aos cães. (...) Nenhuma suspeita (...) permite que o mundo seja convidado a refastelar-se com o espectáculo da silhueta algemada, desfigurada por 30 horas de interrogatório, ainda orgulhosa".


Em 2001 entrou em vigor, em França, a chamada "Lei Guigou", que reforçou o direito à presunção da pessoa detida, proibindo os meios de comunicação social de divulgarem imagens de pessoas algemadas, sob pena de incorrerem em crime. Neste caso em concreto, do antigo homem forte do FMI, os media franceses não estão a cumprir a lei, argumentando o seu dever de informar e o direito do cidadão a ser informado, pelo que um dos advogados de Strauss-Khan já disse estar a ser ponderada a apresentação de queixas-crime contra esses órgãos de comunicação social.


Esta é uma das questões que se coloca diariamente aos jornalistas, mesmo de países onde não existe uma "Lei Guigou". Até que ponto a publicação de imagens ou de informações demasiado detalhas sobre a identidade e vida de um alegado criminoso não colide com o seu direito à presunção da inocência? A força de uma notícia é de tal ordem que, mesmo que o tribunal iliba esse presumível criminoso, a suspeita permanecerá colada à sua pele. Da mesma forma se pode perguntar: até que ponto a proibição de divulgar essas imagens e informações não choca com o direito à liberdade de imprensa?

terça-feira, 17 de maio de 2011

Sobre o suicídio

O suicídio de alguém é sempre um caso dramático que deve ser tratado com todo o cuidado por parte dos jornalistas. Mesmo quando se trata do suicídio de alguém famoso, como o do maratonista Samuel Wanjiru, a notícia deve ser despojada de qualquer sentido valorativo e isento de pormenores, sobretudo, sobre o método utilizado. Sempre me bati pela não publicação de notícias sobre suicídas, apesar de determinados jornais terem uma especial apetência sobre este tipo de acontecimento. Ao ponto de descreverem pormenorizadamente os últimos passos do suicida, o método utilizado e as suas consequências.


Os jornalistas têm um forte poder de influência nos comportamentos e atitudes dos indivíduos, principalmente dos que pertencem às camadas mais frágeis da população, pelo que é também sua responsabilidade não contribuir para torná-las ainda mais frágeis. No caso do suícídio, é de todos conhecido o efeito que uma notícias como demasiados pormenores tem em indivíduos com tendência suicídia. A seguir à notícia há um conjunto de suicídios semelhantes, muitas vezes no mesmo loca. É o chamado "Efeito Werther", como bem recorda o jornalista Dinis Manuel alves no seu MediaPolis.


No ano 2000, a Organização Mundial de Saúde publicou "Prevenir o Suicídio: Um Guia para profissionais dos Média", que, infelizmente, é conhecido de poucos profissionais da comunicação, mas que deveria ser objecto de análise e reflexão por parte de todos nós. Por cabe também a nós, jornalistas, contribuir para que este seja um mundo cada vez melhor.

domingo, 15 de maio de 2011

Para o ano há mais Feira do Livro

Sempre que a Feira do Livro termina sinto uma espécie de melancolia. A Feira anima o Parque Eduardo VII. Dá-nos mais um motivo para caminhar ao ar livre, para apanhar um pouco de sol antes de regressarmos a casa depois de mais um dia de trabalho, permite-nos estar a par das últimas novidades editoriais ou descobrir aquele livro que procurávamos há muito tempo.


A Feira do Livro faz falta ao parque, mas no próximo ano estará de volta. Dizem que com outra filosofia, mas mais não adiantam. Resta-nos esperar para ver. Até lá, deixo-vos aqui alguns momentos do último dia... para mais tarde recordar!


sábado, 14 de maio de 2011

A Higiene da Mulher

Descobri este livro numa das tendas de alfarrabistas da Feira do Livro de Lisboa e não resisti a partilhá-lo convosco. Intitula-se "A Higiene da Mulher" e trata-se de "um livro necessário e actual sobre a mulher e só para a mulher" apesar de ter sido escrito por um homem (Ramiro da Fonseca). Entre outros assuntos, aborda "cuidados com o corpo", as "normas para a vida íntima perfeita e "o que a mulher deve saber sobre os homens".


Logo no prefácio fiquei a saber que "deve entender-se por solteira a rapariga ou mulher adulta que não pratica o acto genésico; casada, a que o pratica mais ou menos com regularidade; mãe, não só a que o é por ter dado à luz, mas também a que amamenta e cuida do deu filho".


 A meio do livro fiquei também a saber que "a hora mais «saudável» para a realização do acto conjugal é pouco depois do deitar, após um pequeno repouso das fadigas diárias". O mesmo médico explica ainda que "o acto sexual não é uma exigência tão imperiosa que não possa ser protelado por um dia, uma semana ou um mês".


E mais não digo. Deixo o resto à vossa curiosidade... ou imaginação!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Dependências

Durante quase dois dias, esta plataforma gratuita de blogues da Google esteve indisponível. Segundo o jornal espanhol El País, o problema deveu-se a uma operação de manutenção programada que não teve os efeitos pretendidos. Durante quase 48 horas, aquela que é a maior plataforma de blogues do mundo esteve inacessível aos seus subscritores e leitores, sem que a empresa adiantasse qualquer explicação.


Só percebi que o problema era geral e não da minha conta quando hoje li a notícia no El País. Até então, esperei e desesperei ao tentar entrar na conta sem sucesso. Senti-me frustrada por não poder publicar um novo texto ou corrigir algum já publicado. Senti como se não pudesse entrar na minha própria casa, porque alguém que não conheço me estava a barrar a entrada. E, neste caso, não me adiantava chamar a polícia ou os bombeiros.


Há umas semanas, a minha conta no Facebook também ficou indisponível por larguíssimas horas, sem que a empresa me explicasse porquê. Também nessa altura estive um tempo interminável a tentar entrar na página, até que a frustração, de tão grande, me levou a desistir. Também nessa altura senti que alguém estava a violar algo que é meu sem a minha autorização.


Houve, pelo menos, algo de positivo nestes dois episódios. Obrigaram-me a reflectir sobre o quanto o meu bem-estar estaria dependente do acesso a estas e outras plataformas, ou, dito de outra forma, se a Internet não estaria controlar a minha vida. Conclui que sim, que havia já um grau de dependência e se não tomasse medidas essa dependência cresceria. Pelo que decidi não deixar que a minha vida fosse condicionada pelas novas plataformas tecnológicas. Afinal, foi o ser humano quem criou a máquina e não o contrário.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Criatividade?

Este é o cartaz com que o Clube de Criativos de Portugal anuncia o seu 13º festival. Deparei-me com ele, esta semana, na estação de metro Oriente e desde logo me causou estranheza. Primeiro, porque não vejo nada de criativo na imagem. Segundo, porque o slogan - "Ter sorte dá muito trabalho" - conjugada com a imagem de um coelho cuja pata foi sacrificada (sorte?!) só me trás à mente um pensamento: dá muito trabalho apanhar um coelho e cortar-lhe uma pata.  

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Fátima

Chamo-me Fátima porque a minha mãe é devota de Nossa Senhora de Fátima. Durante a minha infância ouvi vezes sem conta a história dos três pastorinhos que, enquanto apascentavam as suas ovelhas, viram uma senhora vestida de branco, que lhes pediu para rezar muito. Ainda hoje guardo com carinho a imagem da Senhora de Fátima que me foi oferecida pela minha primeira catequista e o livro infantil dado pela minha mãe. Mais por consideração a quem mos ofereceu do que propriamente devido à fé. Mas a verdade é que não consigo desfazer-me destes objectos.


Quando entrei na adolescência e comecei a interessar-me pela leitura de jornais e de livros que não os juvenis, comecei a interrogar-me sobre a história que ouvi repetidas vezes à minha catequista, à minha avó e à minha mãe. O que é uma aparição? É como um sonho, em que vemos coisas que na verdade só existem na nossa imaginação? E por que é que só os pastorinhos é que viram a Senhora? Por que é que as outras pessoas não conseguiram vê-La? Entre tantas outras dúvidas às quais nunca consegui encontrar respostas que me satisfizessem.


As aparições de Fátima continuam a apaixonar milhares de pessoas em todo o mundo, crentes e não crentes, católicos e não católicos, homens e mulheres. Vem tudo isto a propósito de mais uma tertúlia realizada ontem à noite na Livraria Ler Devagar, com o escritor Luís Miguel Rocha, precisamente sobre este tema. E foi muito interessante assistir ao debate de teorias e ideias entre crentes e não crentes, entre a ciência e a fé, entre os que acreditam (têm fé?) que um dia a ciência vai dar uma resposta a todas as dúvidas e os que duvidam (têm fé?) que isso alguma vez acontecerá relativamente a tudo aquilo para o qual não temos resposta.


Não posso deixar de confessar que sinto algo dentro de mim quando entro no Santuário de Fátima, mas também questiono tudo o que é dito e escrito e, sobretudo, muito do que é feito em nome dessas aparições. Como jornalista e historiadora cabe-me questionar, confrontar e interpretar as várias fontes. Como ser humano tenho necessidade de acreditar que há algo (alguém) para lá de nós. Serão estas duas facetas incompatíveis?

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Perdidos na TVI

Eu, que nem sou grande fã de reality shows, dei por mim colada ao écrã para ver a estreia de "Perdidos na Tribo - Famosos", ontem à noite, na TVI. E, ao que parece, estive muito acompanhada: 3,2 milhões de indivíduos viram este primeiro episódio do princípio ao fim, destronando o reality show da SIC, "Peso Pesado". Resta agora esperar de que forma as audiências se vão dividir entre os dois programas nas próximas semanas.

 
A única razão pela qual assisti à estreia foi... José Castelo Branco. Confesso a minha curiosidade em ver como é que o marchand d'art se iria adaptar, ou não, a um estilo de vida bem diferente ao que está habituado. Graças a ele, dei umas boas gargalhadas ao longo da noite. Logo à chegada, Castelo Branco impôs a sua vontade ao conseguir que o chefe da tribo o carregasse ao colo. Mas não se adivinha que este seja um comportamento a repetir-se...

Temo que esta minha curiosidade em torno de José Castelo Branco me leve a assistir aos próximos capítulos de "Perdidos na Tribo - Famosos". E logo eu, que nem sou grande fã de reality shows...

domingo, 8 de maio de 2011

A festa do livro

Sou suspeita para falar sobre a Feira do Livro de Lisboa, pois os livros são uma das minhas paixões. Todos os anos, quando se aproxima a data do evento, começo a fazer a lista das obras que quero comprar. Uma lista que não acaba nunca e que, por razões, óbvias, nunca a compro na totalidade. Mas não é por isso que a Feira do Livro não deixa de ser uma festa. Ver, tocar, cheirar, ler os livros, descobrir autênticas relíquias nas bancas dos alfarrabistas, preciosidades na tenda das pequenas editoras, comer uma fartura ou um churro, assistir ao lançamento de livros, a palestras ou a espectáculos musicais, tudo isso faz parte da festa. Lamento apenas que, à semelhança das últimas edições, já não exista a tenda com os livros do dia, onde calmamente podíamos folhear as obras e relectir sobre a sua possível compra. Desagrada-me também uma das novidades deste ano, o túnel da Babel. A Feira do Livro é realizada ao ar livre, em espaço aberto, o que não se compagina com espaços claustrofóbicos como o da Babel, onde nunca podemos ver a luz do dia ou da noite. Para estar num espaço totalmente fechado, então prefiro as livrarias tradicionais.

sábado, 7 de maio de 2011

Apelo ao boicote

Esta semana, a Federação das Associações de Jornalistas de Espanha apelou ao boicote às conferências de imprensa onde não são aceites perguntas por parte dos profissionais dos órgãos de comunicação social ou onde ocorram outras "anomalias informativas". O apelo é dirigido aos jornalistas, mas também aos editores, uma vez que muitas vezes estes exercem pressão para que os profissionais não tomem este tipo de posição. O apelou surgiu depois de uma sucessão de acontecimentos do género em Espanha, como a decisão, tomada a 5 de Abril pela Junta Eleitoral de Mérida, de recolher todos os exemplares do semanário Voz Emérita apenas porque este denunciava o extraoridnário aumento do património do cabeça-de-lista do Partido Popular.


Na sexta-feira, o mesmo apelo foi feito pelo Sindicato dos Jornalistas, pelas mesmas razões. Nas últimas semanas tem sido notório o recurso a "simples" declarações à imprensa, sem, obviamente, possibilidade de perguntas. Há também conferências de imprensa em que estão proibidas perguntas por parte dos jornalistas, o que contraria de todo a própria essência do que é uma conferência de imprensa. Sem falar no facto de, em muitos casos, também ser proibida a recolha de fotografias, embora o seja autorizado às televisões.


E por falar em televisões, há casos em que as conferências de imprensa não começam sem que estejam presentes os jornalistas dos vários canais. Nem que seja  necessário esperar meia hora ou mais, naquilo que considero um total desrespeito para com os profissionais das rádios e dos jornais. Há ainda casos em que os organizadores das conferências de imprensa impõem um limite máximo de perguntas. Entre outros atropelos à liberdade de imprensa e ao direito dos cidadãos de serem informados.


Se um líder político quer apenas fazer uma declaração ao país, não precisa de convocar os jornalistas. Basta-lhe gravar um vídeo com a mensagem que quer passar e enviá-lo às redacções e/ou colocá-los nas redes sociais.


Quando comecei nesta profissão, os meus colegas mais velhos contavam-me vários episódios em que os jornalistas tomavam uma posição de força e, em conjunto, abandonavam conferências de imprensas onde o seu trabalho estava a ser boicotado. Nos 13 anos que levo de jornalistas não me recordo de alguma vez ter sido tomada uma posição semelhante. Mais uma vez, este não é um problema que deva apenas ser reflectido pela classe dos jornalistas, mas pela sociedade no seu todo.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Portugalnomics

Este vídeo foi mostrado, esta tarde, na sessão de encerramento das Conferências do Estoril e arrancou várias gargalhadas à audiência. Foi desta forma que a Câmara Municipal de Cascais (um dos organizadores do evento) quis explicou aos finlandeses o grande país que nós somos e lembrar-lhes que, como povo solidário que somos, no passado ajudamo-los a ultrapassar uma fase difícil.

A mensagem é dirigida aos finlandeses, para que não boicotem o plano de ajuda financeira a Portugal, mas deve servir também de motivo de reflexão por parte dos portugueses. Há por aí muito boa gente sem memória que se esquece que as grandes conquistas só se conseguem com trabalho, sacrifício de dedicação. Alguém tem dúvidas?

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Larry, the King


Confesso: nunca vi um programa do Larry King. O facto de não ter televisão por cabo em casa não é desculpa. Podia procurar os programas na Internet ou pedir a alguém para mos gravar. Mas não, nunca tive essa curiosidade. Não me perguntem porquê, porque não sei explicá-lo. Mas hoje, depois de o ouvir nas Conferências do Estoril, lamentei nunca o ter feito. Ele é simplesmente um senhor. Apesar do curriculo invejável (entrevistou mais de 50 mil pessoas ao longo da sua carreira), continua a ser um humilde "rapaz judeu de Brooklin", como ele próprio se descreve.
 
 
Com um óptimo sentido de humor, uma memória invejável e um trato correctíssimo, não tem a arrogância, o snobismo e a falta de humildade de muita gente que, acabada de chegar a este mundo dos media, julga tudo saber. Infelizmente, as redacções estão a ficar vazias destes jornalistas, que pela sua idade e experiência, muito têm a ensinar às novas gerações. Eles são a memória dos jornais, das rádios e das televisões, mas, como o próprio Larry King confessou, o facto de, por vezes, terem dificuldades em acompanhar os novos tempos, afasta-os das redacções.
 
 
Depois de ouvir Larry King, já não me sentirei tão angustiada quando um entrevistado me responder apenas com monossílabos - "sim", "não", "talvez". Isso aconteceu com o maior jornalista de todos os tempos. Depois de ouvir Larry King, fiquei ainda com mais vontade de ser jornalista. Depois de ouvir Larry King, apetece-me ver todos os seus programas. Alguém os tem?

quarta-feira, 4 de maio de 2011

As Conferências do Estoril

Até hoje, o nome de Nouriel Roubini pouco me dizia, além do facto de ter sido o economista que, em 2005, previu a actual crise financeira mundial. Mas depois de o ter ouvido a discursar nas Conferência do Estoril, fiquei simplesmente fascinada com a sua pessoa. Apesar do seu extensíssimo currículo, consegue falar de assuntos complexos - como dívidas públicas e privadas, resgates financeiros ou deflacção - de uma forma perfeitamente compreensível para o comum do cidadão e, apesar do cansaço notório, mostrou-se sempre simpático com o público e os jornalistas.


Depois de assistir a este primeiro dia das Conferências do Estoril, lamentei não ter participado na primeira edição, em 2009. Mas o grupo de oradores convidados para a edição deste ano é também extremamente interessante e ajudar-nos-á a pensar melhor globalmente e não apenas na realidade portuguesa. Sem dúvida, uma iniciativa a não perder. Quem não poder ir ao Centro de Congressos do Estoril, onde as conferências têm lugar, podem acompanhar em directo na página do Facebook.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

Se há valores que devem ser protegidos, o da liberdade de imprensa é um deles. Nenhum país onde a liberdade de imprensa não esteja defendida, e não apenas no corpo da lei, poderá intitular-se democrático. Embora todos nós saibamos que a censura de hoje não tem a forma de lápis azul, mas sim várias formas mais ou menos definidas, muitas vezes desenhadas pelos mais insuspeitos. Contudo, nada se compara aos países onde ser jornalista comporta um real risco para a vida do mesmo e dos seus mais próximos.



No dia em que se assinala o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa (data instituída em 1993 pela ONU), um relatório da organização Repórteres Sem Fronteiras conclui que o controlo dos meios de comunicação social é uma das chaves da sobrevivência dos regimes do Magrebe e do Médio Oriente, que estão no topo da lista no que diz respeito às "tentativas de manipulação de correspondentes, detenções arbitrárias, expulsões e intimidações".



Segundo dados do Instituto Internacional de Imprensa, no ano passado morreram 100 jornalistas no exercício da sua actividade, menos 10 do que em 2009. À cabeça da lista está a Ásia, onde foram mortos 40 profissionais, logo seguida da América Latina, com 32.



"Nenhum progresso em prol da liberdade de imprensa poderá jamais ser conseguido sem uma luta eficaz contra a impunidade", refere o mesmo relatório dos Repórteres Sem Fronteiras, que denuncia que, em alguns países, "o silência da comunidade internacional é cúmplice".



Esta não é uma luta exclusiva dos profissionais da comunicação social. Esta é uma luta de todos nós!


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Bin Laden morreu!

Inevitavelmente, a notícia do dia em todo o mundo foi a morte de Osama bin Laden por militares americanos, no seu esconderijo no Paquistão. Sem dúvida, um acontecimento poderossíssimo em termos simbólicos e psicológicos, mas que simultaneamente exige alguma cautela quanto ao que poderá acontecer nas próximas semanas. Dos vários analistas que hoje comentaram a notícia do dia, todos são unânimes a dizer que a morte do líder da al-Qaeda não significa obrigatoriamente o fim do terrorismo mundial. Poderá, até, significar o contrário.



De tudo quanto foi dito e escrito hoje sobre a morte de bin Laden, destaco apenas duas situações:



- a falsa foto do cadáver de bin Laden -durante a manhã, foram vários os meios de comunicação social que divulgaram a foto do suposto cadáver de bin Laden. Na fotografia, vê-se uma imagem do rosto de bin Laden vivo ao lado de outra onde apresenta diversos ferimentos graves e uma expressão de dor. A foto foi primeiro divulgada pela estação de televisão paquistanesa Geo e distribuída mundialmente pela Associated Press, mas levantou de imediato várias dúvidas quanto à sua autenticidade. Dúvidas estas que levaram a Geo a admitir, mais tarde, que se tratava de uma fotomontagem. Uma atitude criticável, sem dúvida!



- o ataque em directo - sem o saber, um cidadão paquistanês divulgou ao mundo, em primeira mão, o ataque das tropas americanas ao esconderijo de bin Laden. Sohaib Athar escreveu no Twitter que, estranhamente, estava um helicóptero a sobrevovar Abbottabad e, pouco depois, que tinha ouvido uma forte explosão. Só mais tarde percebeu que estava a testemunhar, ao vivo e em directo, o acontecimento do dia.

domingo, 1 de maio de 2011

Desamigaram-me

Alguém que eu considerava um amigo real, desamigou-me no Facebook! Nunca tal me tinha acontecido e, acreditem, foi como se me tivessem dado um murro no estômago. Já me aconteceu, certamente como a alguns de vocês, perder o contacto com amigos porque com o passar dos tempos nos fomos afastando por esta ou aquela razão ou mesmo por razão nenhuma. Mas ser desamigado é algo de mais profundo, implica uma acção nesse sentido, implica que alguém se deu ao trabalho que clicar no botão e de afastar de vez essa pessoa do seu grupo de amigos. Significa que um amigo é agora um desamigo, o que quer que isto queira dizer. Desamigaram-me e foi como se me tivessem dado um murro no estômago.