Mário Crespo voltou, esta semana, a ser o protagonista de mais um episódio que em nada dignifica a classe dos jornalistas. Na sequência da notícia publicada na edição
online do Expresso, na quarta-feira à noite, dando conta de uma alegada abordagem do ministro Miguel Relvas ao jornalista da SIC com o intuito de saber se estaria disponível para voltar a ser correspondente da RTP em Washington, Mário Crespo aproveitou o espaço diário de informação que conduz nas noites da SIC Notícias para desmentir o conteúdo do artigo.
Logo no arranque do "Jornal das 9", tradicionalmente reservado à notícia mais importante do dia, o pivô decidiu negar categoricamente que alguma vez lhe tenha sido feito qualquer convite formal ou informal nesse sentido por parte do ministro que tutela a Comunicação Social ou por qualquer outro membro do governo.
Não conheço Mário Crespo, assim como não conheço Adriano Nobre, o jornalista que assina a notícia do Expresso, mas há nesse caso vários pontos de merecem ser destacados:
1º - A SIC e o Expresso fazem parte do mesmo grupo empresarial - Impresa;
2º - No artigo do semanário há uma citação de Mário Crespo onde este explica que não lhe foi feita "nenhuma proposta formal", mas que muito o "honraria" voltar a ocupar aquele cargo;
3º - Na defesa da honra, no "Jornal das 9", em momento algum Mário Crespo negou que tenha feito estas declarações ao Expresso;
4º - A notícia da alegada saída de Mário Crespo para a RTP foi mencionada no
SIC blog;
5º - Este sábado, o semanário Expresso menciona que Miguel Relvas referiu o nome de Mário Crespo aos membros do Conselho de Opinião da RTP, em Julho. Facto que o presidente deste órgão, Manuel Coelho da Silva, não nega ao
Jornal de Notícias, embora frise que tal se tenha verificado numa conversa informal .
Independentemente do lado em que esteja a verdade, há dois pontos que em nada abonam a favor de Mário Crespo:
1º - O facto de, em tempos, ter pressionado um membro de um antigo governo PS a intervir na RTP. A denúncia foi feita, em Fevereiro do ano passado, por Arons de Carvalho, ex-secretário de Estado da Comunicação Social numa audição na
Comissão Parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura;
2º - Utilizar um espaço de informação, mesmo que conduzido por si, para negar uma notícia publicada num outro órgão de comunicação social é, além de abusivo, claramente anti-ético. Como muito bem sabe Mário Crespo, há formas e espaços próprios para desmentir uma notícia e obrigar um órgão de informação a repor a verdade. Arrogar-se no direito de o fazer desta forma, mostra que Mário Crespo se julga superior a tudo e a todos e que merece um tratamento diferenciado de todos quantos se sintam atingidos por notícias falsas ou caluniosas.