quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A pudicícia da televisão italiana

Vários jornais italianos dão hoje conta da censura de parte de um episódio de uma série alemã que tem vindo a emitir, apenas porque esta apresenta um casamento homossexual realizado num convento na presença de várias freiras e do presidente da câmara.



Defende-se o director do canal de televisão, Mauro Mazza, que a decisão foi tomada para evitar críticas por parte dos sectores católicos italianos e por "escassez de espaço na grelha televisiva" (sic!).


Ao que parece, a televisão pública italiana é useira e vezeira desta prática. Em 2008, a Rai 2 censurou as cenas de sexo entre o casal homossexual do filme "Regresso a Brokeback Moutains" e, no ano seguinte, cancelou um entrevista a Valérie Tasso, autora do livro "Diário de uma Ninfomaníaca", por a mesma abordar conteúdos sexuais impróprios para a hora a que o programa iria ser imitido.


Enfim!


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

"Público" espanhol anuncia despedimentos

O jornal espanhol "Público" anunciou hoje, na sua página web, o despedimento de 39 pessoas (20% do número de trabalhadores) e a redução salarial, justificando a medida com a crise económica e o seu impacto no sector da comunicação social.


Este artigo chamou-me a atenção por dois motivos:
- a empresa assume publicamente no próprio jornal a intenção de reduzir o quadro de pessoal e os salários dos que ficam;

- fá-lo antes da decisão se tornar efectiva, esclarecendo que está em conversações com os representantes dos trabalhadores.


Uma atitude muito diferente da adoptada pelos jornais portugueses!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

É namofóbico?

Não sabe o que é isto? Eu também não sabia até hoje me ter deparado com um artigo no jornal espanhol ABC. A namofobia é o medo irracional de não termos sempre connosco o telemóvel e, por isso, não estarmos permanentemente contactáveis.

De acordo com os primeiros estudos, 53% dos utilizadores de telemóvel sofrem de namofobia - que tem entre os seus principais sintomas a instabilidade, a agressividade e a dificuldade de concentração –, sendo que esta nova fobia afecta mais os homens do que as mulheres.

Julgo que ainda não fui afectada por esta nova fobia. Já me esqueci do telemóvel um dia inteiro em casa e não foi por isso que o meu estado de humor piorou (embora deva confessar que a primeira coisa que fiz quando cheguei ao lar doce lar foi procurar o telemóvel e ver as mensagens!).

Consigo ter o telemóvel desligado durante horas ou mesmo dias, sobretudo se estiver de férias e precisar mesmo, mesmo de carregar as minhas baterias. Mas também tenho que confessar que sou daquelas pessoas que confere várias vezes ao dia se o telemóvel tem rede ou se chegou alguma mensagem sem que eu me tenha apercebido.

Será que sou namofóbica?

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

E se pudesse ler o jornal no espelho enquanto lava os dentes?

Os jornais não páram de nos surpreender. E as novas tecnologias também não. Quando se aliam, o resultado pode ser este:


O Laboratório de Investigação e Desenvolvimento do jornal americano New York Times desenvolveu dois protótipos de espelhos de casa-de-banho e de mesas de cozinha onde é possível aceder às notícias. Já imaginaram estarem a lavar os dentes ou a fazer a barba enquanto lêem as notícias no espelho? E nem é preciso tocar no dito cujo para excutar novas funções, uma vez que o espelho responde aos movimentos e à voz. Além de podermos ler as notícias, será também possível enviar e receber e-mails, programar eventos num calendário e realizar compras online.

Com estas novas plataformas seremos cada vez mais uma sociedade que se alimenta de informação e cada vez mais dependente das novas tecnologias, com todos os perigos daí resultantes. Estaremos perigosamente a caminhar para o nascimento de um novo Homem?

domingo, 4 de setembro de 2011

Escultura de Jorge Marín

Quem ainda não teve oportunidade de ver a exposição de escultura de Jorge Marín deve apressar-se, pois só estará patente ao público até ao dia 16 de Setembro no Reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras, em Lisboa. Intitula-se "O Corpo e a Paisagem" e apresenta um conjunto de peças de bronze deste artista plástico mexicano, que descobri na sexta-feira, durante a apresentação das novidades literárias da Porto Editora. Definitivamente, a não perder.

sábado, 3 de setembro de 2011

Mais uns quantos jornalistas para o desemprego

A notícia chegou a meio desta semana, embora já se falasse há algum tempo de que isto pudesse vir a acontecer mais cedo ou mais tarde. A NS, revista publicada aos sábados como Jornal de Notícias e o Diário de Notícias, saiu hoje pela última vez.


Com o encerramento desta publicação, mais uns quantos jornalistas vão engrossar as já longas listas de desempregados.


A cada jornal ou revista que fecha, o jornalismo português fica mais pobre. E com ele, este pobre país.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Alguém me explica isto?

A propósito de um editorial publicado por António Ribeiro Ferreira no jornal i, a propósito da alegada espionagem ilegal a um jornalista, Marques Júnior, presidente do Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações da República Portuguesa, viu hoje publicado o seu direito de resposta nas páginas daquele diário. Até aqui, nada de estranho.


O que realmente me chamou a atenção (e provavelmente a todos os que hoje folhearam o jornal) foi a Nota da Direcção publicada logo a seguir e assinada pelo próprio António Ribeiro Ferreira. Reza assim: "Senhor Presidente da Comissão de Fiscalização do Sistema de Informações da República. O que é inconcebível em tudo isto é que o senhor ainda não tenha percebido a inutilidade do cargo que ocupa. Obviamente, demita-se."


Será que alguém me explica isto?

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Mais um caso de espionagem a jornalistas

Pouco menos de uma semana depois de o semanário "Expresso" ter noticiado a alegada espionagem ilegal a um jornalista, o espanhol "El País" dá hoje conta de um caso semelhante envolvendo o diário francês "Le Monde". Ao que consta, a pedido do Eliseu, os serviços de contra-espionagem franceses puseram sob escuta um dos jornalistas que escrevia sobre o caso Bettencourt para descobrir qual a fonte de informação.


Confrontado com documentos publicados pelo "Le Monde", Nicolas Sarkozy desmentiu todas as acusações, dizendo que o jornal "escreve o que quer".


Casos como estes dois não devem ser tão raros quanto isso e devem preocupar a sociedade no seu colectivo, como aqui já escrevi. Embora as regras deontológicas do jornalismo determinem que as fontes devem ser sempre identificadas, também aceita que haja excepções, uma vez que determinados casos só podem conhecer a luz do dia se a fonte tiver garantias de que a sua identidade não será divulgada.


Mesmo em juízo, um jornalista pode recusar revelar a identidade de uma fonte, embora nem sempre a justiça tenha o mesmo entendimento, como aconteceu no caso de Manso Preto.