Foi com um ar verdadeiramente desgostoso que um dos meus vizinhos me disse isto. "Se eu pudesse, saía deste país!" Isto depois de eu lhe ter desejado sorte quanto aos próximos jogos do Benfica, sabendo eu que ele é um ferrenho adepto do clube da Luz. Ou era. A sua desilusão quanto ao que se passa no país é tanta que já diz que o futebol e a política deixaram de lhe interessar. Faltam-lhe homens e mulheres de referência, que lhe possam dar alguma esperança quanto ao futuro de Portugal, quanto ao rumo que nós, portugueses, vamos tomar para sair destes tempos que são de crise. Crise não é só financeira, mas também de confiança, de esperança, de crença, que leva a que alguns portugueses, como o meu vizinho, sintam uma enorme vontade de mudar de país. Um país onde não se diga uma coisa e se faça outra. Um país onde os seus cidadãos estejam verdadeiramente envolvidos na resolução dos problemas que são de todos. Num país onde, pelo menos, ainda haja uma réstia de esperança.
Reflexões, dúvidas, desabafos, ilusões e desilusões de uma jornalista portuguesa
sábado, 30 de abril de 2011
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Há desculpas... e desculpas
O que incomodou verdadeiramente Miguel Sousa Tavares não foi o conteúdo da notícias, mas o facto de não ter sido contactado e confrontado com a informação para poder dizer de sua justiça. Um dos princípios basilares do jornalismo é o do contraditório. Na posse de determinada informação, o jornalista tem o dever de confrontar todas as partes interessadas. Pode não o conseguir - porque a pessoa não atende o telefone ou não responde ao e-mail, porque se recusa a falar no assunto, etc - mas é sua obrigação tentá-lo e dizer aos leitores/ouvintes/telespectadores que o tentou. É aqui que reside o grande erro da notícia da revista Sábado.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Jornalista incómodo aqui não entra
Ao que consta, não é apenas em regimes autoritários que se tenta dificultar o trabalho dos jornalistas considerados "incómodos". Em Portugal, de vez em quando, há instituições que se julgam acima da lei e tentam impedir os profissionais da comunicação social de realizarem o seu trabalho. O caso mais recente é o da Comissão Organizadora da Queima das Fitas 2011 - Coimbra, que aprovou um "Regulamento de Acreditação da Imprensa" onde se outorga no direito "de não aceitar o pedido de credenciais" nomeadamente se verificar "que o trabalho executado em anos anteriores pelo órgão de comunicação social não tenha sido satisfatório" (negrito no original). Uma prática a que alguns clubes de futebol, infelizmente, já nos habituaram. Coincidência, ou talvez anos, após um parecer do Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, o referido regulamento deixou de estar disponível para consulta no site da Queima das Fitas 2011. Condicionar os trabalho dos jornalistas é imoral e ilegal; fazê-lo tendo por base critérios de apreciação subjectiva é deplorável. Quem tenta condicionar o trabalho dos profissionais da comunicação não o faz porque gosta menos do estilo ou da escrita do jornalista, mas sim porque receia que este publicite condutas politicamente incorrectas.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Síria ameaça jornalistas que trabalhem para media estrangeiros
Uma das características mais marcantes dos regimes ditatoriais é a censura dos meios de comunicação social e a perseguição aos jornalistas que não se resignam à verdade das ideologias reinantes, mas que perseguem a verdade dos factos. Muitos pagam essa ousadia com a própria vida. Não é, portanto, de estranhar que quando eclodem convulsões sociais, como as que temos estado a assistir em vários países do Médio Oriente, os jornalistas sejam dos primeiro alvos a abater. Quer impedindo que os repórteres de outros países entrem no território, que limitando o seu trabalho, quer ameaçando-os ou expulsando-os.
Na Síria, onde o presidente Bashar al-Assad continua a reprimir violentamente o próprio povo – que pede nas ruas reformas democráticas -, o regime ameaça com a demissão os jornalistas nacionais que trabalham para os medias internacionais (todos os repórters foram já expulsos do país). Segundo o francês Le Monde, este tipo de pressão é comum na Síria, ao ponto de o Sindicato dos Jornalistas (controlado, obviamente, pelo partido do poder), defender que os jornalistas nacionais que trabalham para a imprensa estrangeira não têm direito... aos mesmos direitos que os seus colegas que trabalham apenas para os media nacionais. Mais palavras para quê?
terça-feira, 26 de abril de 2011
A moda pegou
Parece que o deputado socialista Ricardo Rodrigues deu origem a uma nova moda que já passou fronteiras. Tal como ele furtou os gravadores de dois jornalistas da revista Sábado durante uma entrevista, um senador brasileiro decidiu seguir-lhe as pisadas quando confrontado com o valor da reforma que aufere. Segundo o Jornal de Notícias, além de levar consigo o aparelho, Roberto Requião ainda ameaçou agredir o repórter da rádio Band. Tal como na Roma Antiga, quando não se gosta da mensagem, mata-se o mensageiro. É mais do que tempo de os políticos entenderem que a liberdade de imprensa é um dos mais importantes valores de um Estado democrático e que cabe aos jornalistas formularem as perguntas que os cidadãos/eleitores/contribuintes querem que os seus representantes esclareçam. Responder ou não é uma decisão que cabe à consciência de cada um. Mas, decididamente, furtar gravadores ou ameaçar jornalistas não é a a resposta correcta!
segunda-feira, 25 de abril de 2011
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Edição paga do New York Times atinge os 100 mil subscritores num um mês
Há quem tenha vaticinado que o fim dos conteúdos gratuitos oferecidos pelas edições digitais dos jornais levaria à perda de leitores. Mas ver pelo caso do New York Times, a sentença não deverá concretizar-se. Menos de um mês depois de ter fechado os conteúdos, o jornal americano já atingiu os 100 mil subscritores. Como os próprios responsáveis escrevem, “ainda é cedo para declarar um sucesso, mas os leitores estão a responder bem”. Tendo em conta a massificação dos tablets, smartphones e afins, e a necessidade premente de estar actualizado quase ao minuto, diria que esta é uma tendência que veio para ficar.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Um país sem memória é um país sem História
Noémia Malva Novais, investigadora do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS 20) da Universidade de Coimbra disse hoje, à agência Lusa, que não existe na Biblioteca Nacional, nem na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, qualquer exemplar do jornal "O Tempo" de 27 de Março de 1911 (onde estará a declaração de Afonso Costa sobre o fim do catolicismo em duas gerações). Mais um triste exemplo de como a memória do país (não) é preservada.
terça-feira, 19 de abril de 2011
Propublica volta a ganhar um Pulitzer
Para quem não sabe, o ProPublica é um site noticioso americano fundado em Outubro de 2007 por jornalistas que tinham sido despedidos de grandes meios de comunicação social, como o Wall Street Journal ou o New York Times. Aposta sobretudo no jornalismo de investigação com uma forte componente moral, denunciando a exploração do mais fraco pelo mais forte, como se pode ler no site. Pela segunda vez, o ProPublica venceu um Prémio Pulitzer, um dos mais conceituados galardões do género.Quando o jornalismo se subjuga à publicidade
Quem trabalha em jornais sabe o quanto os anúncios publicitários condicionam o produto jornalístico. O grafismo das páginas e o tamanho e destaque dado a cada uma das notícias depende, em grande parte, do tamanho e da localização da publicidade. E não são raras as vezes em que uma página tem que ser totalmente refeita só porque entrou mais um anúncio. Esta subjugação do jornalismo à publicidade - porque é disso que se trata - parece não ter limites, nem mesmo o respeito pelos leitores. São disso exemplo as duas páginas que aqui vos apresento das edições de hoje dos jornais Metro e Destak. Ambas apresentam um anúncio à Soltrópico literalmente colado em cima das notícias, o que impede a sua leitura.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Descuido... ou talvez não
quinta-feira, 14 de abril de 2011
A brincar, a brincar, se dizem as verdades
Nunca tinha reflectido sobre o assunto, mas concordo do José Rodrigues dos Santos quando diz que "por vezes, é mais fácil falar da realidade através da ficção". Disse-o esta tarde, quando apresentou o livro "A Sagrada Mentira", de Luís Miguel Rocha, no Palácio Foz, em Lisboa. Disse-o para explicar que, apesar de o discurso jornalístico e o ficcional se alicerçarem na realidade, o primeiro está muito mais condicionado do que o segundo. O discurso jornalistíco (ou um histórico) tem que sustentar a sua tese em provas, enquanto que o discurso ficcional não. É por isso que, como lembrou José Rodrigues dos Santos, "o único programa de televisão que fala verdade sobre política é o Contra-Informação".
segunda-feira, 11 de abril de 2011
A dúvida do dia
Depois de, no fim-de-semana, a imprensa ter assegurado que os especialistas do FMI, do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia chegariam apenas amanhã, a grande dúvida do dia foi sobre se estes senhores já estariam a trabalhar em Portugal. Mesmo com o Banco de Portugal a negar categoricamente, a partir do meio da tarde, vários órgãos de comunicação social garantiam que os técnicos já tinham chegado, embora as reuniões oficiais só comecem amanhã. Desenganem-se os ingénuos. Há algum tempo que estes especialistas acompanham in loco a vida económica e política do país.
domingo, 10 de abril de 2011
A desilusão do dia
A notícia apanhou-me totalmente de surpresa. E julgo que a muitos dos milhares de portugueses que, este ano, apoiaram e votaram em Fernando Nobre para Presidente da República. O fundador da AMI (Assistência Médica Internacional) foi hoje anunciado como candidato nas listas do PSD às eleições legislativas de 5 de Junho, com a promessa de que irá ser o futuro presidente da Assembleia da República. É verdade que num passado mais ou menos recente, Fernando Nobre apoiou o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda, mas o movimento de cidadania que formou à sua volta para as presidenciais de 23 de Janeiro suportava-se em valores humanistas e não nos interesses próprios do partidos políticos. O próprio Fernando Nobre criticou duramente a lógica partidária e chegou mesmo a garantir publicamente que nunca ninguém o veria ligado a qualquer partido. O compromisso que agora assumiu com os social-democratas contraria de todo o seu discurso anterior e contribui, ainda mais, para a descredibilidade da classe política portuguesa. E para a desesperança dos portugueses.
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