segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Hoje




Desde que o descobri, o Hoje (RTP) passou a ser um dos meus programas de eleição nos canais generalistas portugueses, fazendo-me muitas vezes companhia ao jantar. Com apenas 30 minutos de duração, apresenta-nos um resumo das principais notícias do dia e respectiva análise por um leque interessante de convidados, sem cair no simplismo, nem na tabloidização a que muitas vezes assistimos noutros espaços noticiosos. O facto de os apresentadores trabalharem em pé (o que não deve ser muito confortável no caso das mulheres, quando calçam saltos altos), introduz uma nova dinâmica e fluidez à forma como as peças são lançadas, não permitindo ao telespectador perder-se em pormenores de menor importância. Sem dúvida, um projecto que merece ser seguido.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Há gralhas... e gralhas

Há gralhas... e gralhas! Mais palavras para quê?



Todos estamos sujeitos a cometer gralhas, mas quando a mensagem é para ser publicada, os cuidados na escrita devem ser redobrados. Mesmo assim, às vezes acontecem lapsos linguae como este. Faz-me lembrar um episódio, que aconteceu há muitos anos numa estação de rádio, quando um locutor, muito entusiasmado, anunciou a abertura de um novo campo... de pénis!

Morreu Martha de la Cal

Para a maioria dos portugueses (jornalistas incluídos) o nome não diz nada, mas Martha de La Cal era a correspondente estrangeira mais antiga em Portugal. Morreu esta madrugada, aos 84 anos, vítima de um acidente vascular cerebral. Natural dos Estados Unidos da América, Martha era correspondente da revista Time em Portugal há mais de 40 anos. Justine Collis, uma das suas filhas, explicou hoje, à agência Lusa, o que a mãe pensava dos jornalistas portugueses: “São muito generosos, estão sempre dispostos a ajudar”.



O jornalista Sandy Sloop, que conheceu Martha quando veio trabalhar para Portugal, em 1977, recorda-a como “uma boa colega e amiga” e uma “mulher muito empenhada em tudo o que se passava em Portugal”. Martha de La Cal “serviu como mãe de sucessivas vagas de jornalistas que vinham para Portugal”, afirmou, ainda, o mesmo jornalista.


No currículo desta jornalista como correspondente em Portugal fica a cobertura da revolução de 25 de Abril de 1974. Dos jornalistas estrangeiros que acompanharam esse período da história portuguesa, Martha de La Cal era a única que ainda permanecia no país.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O Nevoeiro

Foto tirada ontem pelo comandante José Costa do cockpit do A-320, da TAP, pouco tempo depois de ter descolado do Aeroporto Internacional de Lisboa


Não me recordo de alguma vez ter visto Lisboa mergulhada num nevoeiro tão intenso e persistente como ontem e hoje. A cidade que é mundialmente conhecida pela sua luminosidade tem estado envolta numa misteriosa névoa que nos remete para um qualquer cenário dos famosos filmes de mortos-vivos da década de 80. Lembram-se de “O Nevoeiro”, de John Carpenter? Vi este filmes vezes sem conta enquanto o meu velhinho leitor de VHS durou. Adorava (e ainda adoro) filmes com mortos-vivos, muito mais do que os agora tão em voga filmes com vampiros (julgo que em breve, pelo menos na literatura, estas criaturas serão destronadas pelos anjos caídos). Quando olho pela janela ou conduzo em pleno nevoeiro quase sinto fazer parte de um desses filmes de terror. Quase!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Desafios do jornalismo



Este é o título do mais recente estudo do OberCom – Observatório da Comunicação e merece uma leitura atenta por parte de todos os que se interessam e se preocupam com as questões ligadas à comunicação social e ao jornalismo. O relatório tem como base os resultados de um inquérito dirigido a jornalistas dos meios de comunicação social com maior expressão junto do público, tendo sido validadas 212 resposta. Algumas conclusões surpreenderam-me e merecem-me algumas interrogações. Nomeadamente, o facto de 71,5% dos inquiridos concordar com o facto de as notícias serem cada vez mais pouco precisas e estarem cheias de erros factuais.


Talvez esteja aqui uma das explicações para o facto de a opinião pública estar mais descrente relativamente ao jornalismo. Por manifesta falta de tempo, dificuldade no acesso às fontes ou mero desinteresse por parte do jornalista e das editorias, a verdade é que há erros factuais que não facilmente desculpáveis. Também como nota negativa, o facto de 79,3% dos jornalistas inquiridos assumirem que a concorrência e o peso das audiências terem mais importância do que o valor-notícia do acontecimento e de mais de metade (51,9%) privilegiarem, como primeira fonte de recolha de informação, a Internet. É verdade que a Internet é todo um mundo, mas há mais mundo para lá da Internet. É importante que os jornalistas não percam o contacto com o terreno, que continuem a privilegiar as fontes primárias e não alimentem aquilo a que vulgarmente chamamos jornalismo de secretária.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Concelho ou município?

Outro dos erros em que os jornalistas, e não só, incorrem com muita frequência. Desde a Constituição de 1976 que não existem concelhos em Portugal, mas sim municípios. Atente-se ao artigo 236º (Categorias de Autarquias Locais e Divisão Administrativa) da actual Lei Maior: “No continente, as autarquias locais são as freguesias, os municípios e as regiões administrativas”. A própria entidade que os representa é a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e não de concelhos.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

"Guerra sem fim"



É um dos mais reputados correspondentes de guerra da actualidade e tive o prazer de o entrevistar, em Maio do ano passado, quando esteve em Portugal a lançar o seu mais recente livro “Guerra sem Fim” (“The Forever War”, no original), da Casa das Letras. Dexter Filkins, que durante vários anos foi jornalista do The New York Times, transferiu-se, em Dezembro, para o concorrente New Yorker. Confesso que até ao lançamento de “Guerra sem Fim” (vencedor do prémio Pulitzer em 2009), o nome Dexter Filkins me era totalmente desconhecido. Mas após a leitura deste livro - no qual Dexter relata de forma despojada e imparcial, mas apaixonada – o que viveu durante as guerra dos Afeganistão e do Iraque, Dexter Filkins passou a ser um dos jornalistas cujo trabalho tento acompanhar. “Guerra sem Fim” é considerado um clássico da correspondência de guerra e percebe-se porquê. A forma crua e realista como Dexter nos descreve tudo o que vivenciou – desde execuções públicas, a amputações, os ataques terroristas às Torres Gémeas ao medo e ignorância de muitos dos soldados americanos que estavam nos teatros de guerra – transporta-nos para aqueles locais, como se nós próprios tivessemos vivenciado aqueles acontecimentos. Um livro a não perder, especialmente para aqueles que gostam de ler uma boa reportagem.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Americano ou norte-americano?



É frequente ouvirmos ou lermos na imprensa o termo “norte-americano” quando se faz referência a algo ou alguém oriundo dos Estados Unidos da América. Eu própria utilizava esse termo nos meus textos, até ao dia que uma amiga canadiana me chamou a atenção para o facto de essa utilização estar errada. Algo que a deixava verdadeiramente irritada com os jornalistas portugueses e com razão!






De facto, a América do Norte é constituída por três países – Canadá, Estados Unidos da América e México –, cada um com as suas próprias especificidades. Por isso, o termo “norte-americano” refere-se ao conjunto destas nações e não apenas aos Estados Unidos da América. Para este último, o termo correcto é “americano”. Basta consultar a imprensa estrangeira para verificar que assim é.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Código Deontológico do Jornalismo

Quando no exercício da sua actividade, os jornalistas devem ter sempre presente um conjunto de regras de conduta e princípios, essenciais para a existência de um jornalismo de qualidade e credível. Em Portugal, estas regras e princípios estão plasmados no Código Deontológico do Jornalista, aprovado preliminarmente em Assembleia Geral do Sindicato dos Jornalistas, no dia 22 de Março de 1993, e aceite pela comunidade posteriormente, após uma consulta a todos os jornalistas detentores de Carteira Profissional, no dia 4 de Maio de 1994.




Eu trago sempre na carteira um exemplar do Código Deontológico do Jornalista. São 10 regras que, como escreveu um dia Mário Bettercourt Resendes, na altura em que era provedor dos leitores do Diário de Notícias, “são condições necessárias, mas não forçosamente suficientes, sobretudo se os profissionais de informação encararem o Código Deontológico como é corrente interpretar-se a lei: tudo o que não é expressamente proibido é permitido ou, no mínimo, não é ilegal”. E é bem verdade!





Código Deontológico do Jornalista



1.O jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público.




2.O jornalista deve combater a censura e o sensacionalismo e considerar a acusação sem provas e o plágio como graves faltas profissionais.



3.O jornalista deve lutar contra as restrições no acesso às fontes de informação e as tentativas de limitar a liberdade de expressão e o direito de informar. É obrigação do jornalista divulgar as ofensas a estes direitos.



4.O jornalista deve utilizar meios leais para obter informações, imagens ou documentos e proibir-se de abusar da boa-fé de quem quer que seja. A identificação como jornalista é a regra e outros processos só podem justificar-se por razões de incontestável interesse público.



5.O jornalista deve assumir a responsabilidade por todos os seus trabalhos e actos profissionais, assim como promover a pronta rectificação das informações que se revelem inexactas ou falsas. O jornalista deve também recusar actos que violentem a sua consciência.



6.O jornalista deve usar como critério fundamental a identificação das fontes. O jornalista não deve revelar, mesmo em juízo, as suas fontes confidenciais de informação, nem desrespeitar os compromissos assumidos, excepto se o tentarem usar para canalizar informações falsas. As opiniões devem ser sempre atribuídas.



7.O jornalista deve salvaguardar a presunção da inocência dos arguidos até a sentença transitar em julgado. O jornalista não deve identificar, directa ou indirectamente, as vítimas de crimes sexuais e os delinquentes menores de idade, assim como deve proibir-se de humilhar as pessoas ou perturbar a sua dor.



8.O jornalista deve rejeitar o tratamento discriminatório das pessoas em função da cor, raça, credos, nacionalidade ou sexo.



9.O jornalista deve respeitar a privacidade dos cidadãos excepto quando estiver em causa o interesse público ou a conduta do indivíduo contradiga, manifestamente, valores e princípios que publicamente defende. O jornalista obriga-se, antes de recolher declarações e imagens, a atender às condições de serenidade, liberdade e responsabilidade das pessoas envolvidas.



10.O jornalista deve recusar funções, tarefas e benefícios susceptíveis de comprometer o seu estatuto de independência e a sua integridade profissional. O jornalista não deve valer-se da sua condição profissional para noticiar assuntos em que tenha interesses.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Os porquês deste blogue

Desde que iniciei a minha carreira, tenho sido muitas vezes questionada sobre o que é isto de ser jornalista, como é o ambiente de trabalho numa redacção, como é que procuramos a informação e entramos em contactos com as fontes, por que é que um mesmo assunto pode se tratado de forma tão diferente em dois órgãos de comunicação social distintos, se somos pressionados pelos poderes instituídos, entre outras tantas dúvidas. Eu própria, quando comecei a trabalhar, tinha várias ideias feitas sobre o que é ser jornalista e de como se faz jornalismo, que em muitos casos não correspondiam à realidade que vim encontrar no dia-a-dia. Julgo que algo de semelhante terá acontecido com quase todos os jornalistas em início de carreira. E porque estas e muitas outras dúvidas e curiosidades ainda existem, decidi criar este blogue.


Não é meu objectivo impôr ideias, ditar regras, afirmar o que está certo e errado, mas tão somente reflectir – com a sua ajuda – sobre este mundo que é o jornalismo, desconstruir mitos e, algo que considero muito importante, transmitir a mensagem de que um jornalista é, antes de tudo o mais, um ser humano e um cidadão, com o tudo aquilo que esta condição implica. Também por isso, este será um espaço de desabafos, de partilha de gostos e de interesses e, acima de tudo, de diálogo e de troca de ideias. E para isso, conto com a sua participação. Envie-me as suas dúvidas, curiosidades, críticas e sugestões.


Hoje, resta-me apenas desejar-lhe que tenha um bom ano de 2011!