Ao que consta, não é apenas em regimes autoritários que se tenta dificultar o trabalho dos jornalistas considerados "incómodos". Em Portugal, de vez em quando, há instituições que se julgam acima da lei e tentam impedir os profissionais da comunicação social de realizarem o seu trabalho. O caso mais recente é o da Comissão Organizadora da Queima das Fitas 2011 - Coimbra, que aprovou um "Regulamento de Acreditação da Imprensa" onde se outorga no direito "de não aceitar o pedido de credenciais" nomeadamente se verificar "que o trabalho executado em anos anteriores pelo órgão de comunicação social não tenha sido satisfatório" (negrito no original). Uma prática a que alguns clubes de futebol, infelizmente, já nos habituaram. Coincidência, ou talvez anos, após um parecer do Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, o referido regulamento deixou de estar disponível para consulta no site da Queima das Fitas 2011. Condicionar os trabalho dos jornalistas é imoral e ilegal; fazê-lo tendo por base critérios de apreciação subjectiva é deplorável. Quem tenta condicionar o trabalho dos profissionais da comunicação não o faz porque gosta menos do estilo ou da escrita do jornalista, mas sim porque receia que este publicite condutas politicamente incorrectas.
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