domingo, 15 de janeiro de 2012

Foi você quem pediu a TDT?

Aventuras e desventuras de quem se recusa a ter televisão paga e não pediu a TDT

Nunca compreendia por que razão, pagando eu impostos para financiar a RTP, não tenho direito a ver gratuitamente todos os canais da empresas, incluindo a RTP Informação e RTP Memória.

Da mesma forma que não compreendo por que razão, pagando eu os meus impostos, tenha que suportar as despesas de adaptação dos televisores ao sistema analógico.

Caso 1 – concelho do Seixal (abrangido pelo transmissor de Palmela, desligado no dia 12):
Instalado devidamente o descodificador MPEG4, ligo o televisor e reprogramo os canais. Resultado: a imagem pára diversas vezes e por longos períodos; por vezes, com som, outras vezes, sem som. Telefono para a linha de apoio da ANACOM, dizem-me que o sinal digital na zona é forte e explicam-me que a antena (UHF, ou seja, em espinha) tem que estar virada para Sesimbra/Setúbal. Redirecciono a antena e o erro persiste. Dizem-me, então, que o problema poderá ser da instalação e que o melhor é contactar um técnico especializado, mas que serei eu a suportar os custos da deslocação e da avaliação. Agradeço, desligo, retiro o descodificador e continuo a ver televisão em sinal analógico.


Caso 2 – Póvoa de Santa Iria (concelho de Vila Franca de Xira, abrangido pelo transmissor de Monsanto)
Aproveitando a migração do sinal analógico para o digital, decidi-me a comprar um televisor novo para substituir o meu com mais de 20 anos. Com o aparelho devidamente instalado, procuro os canais para os programas, mas a busca resulta infrutífera. Faço um teste sinal e o resultado é… zero. Não apanha qualquer sinal digital. Ligo para a marca do aparelho e sugerem-se ligar para ANACOM. E assim faço. Fico a saber que na Póvoa de Santa Iria há pouco onde o sinal analógico não chega, mas para saber se a minha casa se situa num desses pontos tenho que contactar um técnico especializado e, claro, suportar os custos com a deslocação e a inspecção. O problema poderá também ser da antena (que terá de ser UHF, ou seja, em espinha). Se o prédio não tiver a antena adequada, terei que comprar uma e suportar os custos da sua instalação.

Considero-me uma pessoa minimamente informada, que sabe a quem se dirigir para se queixar e como se queixar e que, felizmente, ainda consegue suportar a maioria destas despesas. Mas penso muito nos velhotes que vivem nos lugares mais recônditos do país, muitas vezes abandonados e sem posses financeiras para suportar todas estas despesas.

Se isto não é mais um roubo aos portugueses, vou ali e já venho!

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