segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

No comments!

Por mais que tente, não consigo entender o que leva alguém a desperdiçar o seu tempo a escrever comentários insultuosos, arrogantes, sem qualquer propósito de crítica construtiva nos sites dos meios de comunicação social. A maioria das vezes, sem qualquer ligação – por mais ínfima que seja – ao conteúdo das próprias notícias.

Desde que assumi maiores responsabilidades na gestão do site do Jornal de Notícias, que tenho uma imagem mais clara desta triste realidade. Escondendo-se covardemente por detrás do anonimato, estas pessoas libertam nestes espaços toda a raiva, frustração e ódio que possam sentir. Mesmo que seja contra elas próprias.

Para quem tem a responsabilidade da gestão destes espaços, é extremamente frustrante ter que verificar os comentários denunciados por leitores que os consideram impróprios e ser acusado de censor por parte daqueles cujos comentários são eliminados. Há quem não desista à primeira, e publique sistematicamente o mesmo comentário inúmeras vezes, como se se tratasse de uma luta entre David e Golias.

A questão do “censor” existe mesmo nas edições on-line em que os comentários são lidos antes de serem (ou não) publicados.  

O Provedor de Justiça já chamou a atenção dos responsáveis dos sites de comunicação social para esta realidade, uma vez que a maioria dos comentários não contribui para um debate sério sobre as questões referidas nos artigos. Mas o caso não é de fácil resolução.

Há artigos em que, devido ao assunto tratado (homossexualidade ou racismo, por exemplo), não é permitido colocar qualquer comentário, mas isso não impede estes leitores (?) de o fazerem em notícias onde o comentário é permitido.

A imaginação destes leitores (?) é fértil no que toca a contornar as barreiras que os sites impõem no tocante a alguns vocábulos. Basta escreverem “kona” ou “car alho” para que as palavras passem.

O problema não é um exclusivo português. Em alguns países foram fundadas empresas com a exclusiva missão de moderar os comentários nos sites informativos, libertando, desta forma, os jornalistas desta tarefa, mas a questão do fundo permanece: o que leva alguém a desperdiçar o seu tempo a escrever comentários insultuosos, arrogantes, sem qualquer propósito de crítica construtiva nos sites dos meios de comunicação social?

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