Os efeitos da crise económico-financeira no sector dos media não se faz sentir apenas no encerramento de publicações e no despedimento de colaboradores. Tem consequências negativas no próprio produto jornalístico. Com menos recursos financeiros e humanos, as empresas de comunicação social tendem a cortar, por exemplo, nas deslocações dos jornalistas fora da redacção.
Passa a ser regra o dito jornalismo de secretária, em que o repórter raramente se desloca aos lugares dos acontecimentos ou fala pessoalmente com as fontes. As próprias agências de comunicação se queixam de que são cada vez menos os jornalistas que acompanham conferências de imprensa, lançamento de projectos ou apresentação de estudos. Preferem ler os comunicados e falar com quem de direito por telefone.
Perde-se muito quando se aposta no jornalismo de secretária. Estar nos locais onde as coisas acontecem permite-nos cheirar o ambiente, ouvir as pessoas, estabelecer empatia e confiança com elas, muitas vezes, agarrar outras histórias, que nos permitirão escrever outros tantos artigos.
Perde-se muito quando se aposta no jornalismo de secretária. Perde-se a capacidade de olhar o mundo de outros ângulos, perde-se o contacto com a realidade, perde-se, no fundo, grande parte da essência do que é o jornalismo.
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