Há pessoas que nos marcam de tal maneira, que se torna difícil encontrar as palavras certas para dizer o quanto gostamos delas e o quanto as apreciamos como seres humanos e como profissionais. O João Ribeiro é uma delas. Sócio número 1 do Sindicato dos Jornalistas e um dos maiores fotojornalistas portugueses, marcou-me de tal forma durante os anos que trabalhámos juntos no Jornal de Notícias que hoje, quando o revi na inauguração da exposição em sua homenagem, não soube o que dizer-lhe. Limitei-me a abraçá-lo e a dizer que tinha muitas saudades deles.
O João Ribeiro – o Joãozinho, como todos o chamamos – foi das pessoas que mais me acompanhou nos meus primeiros anos nesta profissão. Foi ele quem promoveu o almoço do primeiro aniversário que festejei no jornal. Foi ele que me ensinou a ter calma e a não me chatear muito com decisões que eu considerava injustas ou injustificáveis (lamento, João, mas ainda hoje não o consigo fazer), foi com ele que aprendi as primeiras noções básicas da fotografia, foi com ele que tomei conhecimento de muitos episódios que marcam a história do jornalismo e do país.
Deliciava-me a ouvi-lo contar a reportagem que fez a bordo de um bacalhoeiro, de como esteve dois meses embarcado e de como participava nas actividades diárias do barco. De como, no seu tempo, havia camaradagem entre colegas e respeito por parte das chefias. De como, não havendo telemóveis, nem internet, nem nada destas tecnologias que hoje temos, os jornais saíam a tempo e horas, com notícias fresquinhas, todos os dia.
Adorava andar com ele na rua, de braço dado, como avô e neta, o avô que não tive na minha infância. Há pessoas que nos marcam para toda uma vida. O Joãozinho é uma delas.

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