As redacções portuguesas estão a ser infectadas por vírus que, aos poucos, conduz à perda de memória. E numa redacção, a memória é dos bens mais preciosos. Num país de memória curta, em que os arquivos – sejam eles pessoais, municipais, nacionais ou outros – são maltratados, restava-nos ainda a memória dos jornalistas mais velhos, verdadeiros poços de sabedoria de experiência feita. Mas estes estão a abandonar as redacções cada vez mais cedo e com eles levam um capital jamais recuperável.
Alguns dos bons momentos que passei nas redacções foram a ouvir os meus colegas mais velhos a contar as suas aventuras e desventuras passadas, os momentos que mais os marcaram, as figuras que conheceram, as situações embaraçosas ou de risco que viveram, como ultrapassaram os obstáculos que nos surgem diariamente, entre tantas, tantas outras coisas. Muitas vezes testemunhas privilegiadas de momentos históricos da história nacional e internacional, foi com eles que fiquem a conhecer episódios mais ou menos burlescos desses acontecimentos.
Ainda menina nesta profissão, foi com eles que dei os primeiros passos, que emendei os primeiros erros, que aprendi técnicas e truques que não se ensinam nos bancos da faculdade, que dei umas boas gargalhadas. E esses são momentos que ficarão para sempre na minha memória. Tempos em que os novatos não eram olhados como uma ameaça, mas sim como um rejuvenescimento das redacções. Tempos em que os novatos não se arrogavam o direito de tudo saber e de menosprezar o que os mais velhos tinham para ensinar.
Tempos que já lá vão e deixam muita, muita saudade!
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