O suicídio de alguém é sempre um caso dramático que deve ser tratado com todo o cuidado por parte dos jornalistas. Mesmo quando se trata do suicídio de alguém famoso, como o do maratonista Samuel Wanjiru, a notícia deve ser despojada de qualquer sentido valorativo e isento de pormenores, sobretudo, sobre o método utilizado. Sempre me bati pela não publicação de notícias sobre suicídas, apesar de determinados jornais terem uma especial apetência sobre este tipo de acontecimento. Ao ponto de descreverem pormenorizadamente os últimos passos do suicida, o método utilizado e as suas consequências.
Os jornalistas têm um forte poder de influência nos comportamentos e atitudes dos indivíduos, principalmente dos que pertencem às camadas mais frágeis da população, pelo que é também sua responsabilidade não contribuir para torná-las ainda mais frágeis. No caso do suícídio, é de todos conhecido o efeito que uma notícias como demasiados pormenores tem em indivíduos com tendência suicídia. A seguir à notícia há um conjunto de suicídios semelhantes, muitas vezes no mesmo loca. É o chamado "Efeito Werther", como bem recorda o jornalista Dinis Manuel alves no seu MediaPolis.
No ano 2000, a Organização Mundial de Saúde publicou "Prevenir o Suicídio: Um Guia para profissionais dos Média", que, infelizmente, é conhecido de poucos profissionais da comunicação, mas que deveria ser objecto de análise e reflexão por parte de todos nós. Por cabe também a nós, jornalistas, contribuir para que este seja um mundo cada vez melhor.
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