sábado, 7 de maio de 2011

Apelo ao boicote

Esta semana, a Federação das Associações de Jornalistas de Espanha apelou ao boicote às conferências de imprensa onde não são aceites perguntas por parte dos profissionais dos órgãos de comunicação social ou onde ocorram outras "anomalias informativas". O apelo é dirigido aos jornalistas, mas também aos editores, uma vez que muitas vezes estes exercem pressão para que os profissionais não tomem este tipo de posição. O apelou surgiu depois de uma sucessão de acontecimentos do género em Espanha, como a decisão, tomada a 5 de Abril pela Junta Eleitoral de Mérida, de recolher todos os exemplares do semanário Voz Emérita apenas porque este denunciava o extraoridnário aumento do património do cabeça-de-lista do Partido Popular.


Na sexta-feira, o mesmo apelo foi feito pelo Sindicato dos Jornalistas, pelas mesmas razões. Nas últimas semanas tem sido notório o recurso a "simples" declarações à imprensa, sem, obviamente, possibilidade de perguntas. Há também conferências de imprensa em que estão proibidas perguntas por parte dos jornalistas, o que contraria de todo a própria essência do que é uma conferência de imprensa. Sem falar no facto de, em muitos casos, também ser proibida a recolha de fotografias, embora o seja autorizado às televisões.


E por falar em televisões, há casos em que as conferências de imprensa não começam sem que estejam presentes os jornalistas dos vários canais. Nem que seja  necessário esperar meia hora ou mais, naquilo que considero um total desrespeito para com os profissionais das rádios e dos jornais. Há ainda casos em que os organizadores das conferências de imprensa impõem um limite máximo de perguntas. Entre outros atropelos à liberdade de imprensa e ao direito dos cidadãos de serem informados.


Se um líder político quer apenas fazer uma declaração ao país, não precisa de convocar os jornalistas. Basta-lhe gravar um vídeo com a mensagem que quer passar e enviá-lo às redacções e/ou colocá-los nas redes sociais.


Quando comecei nesta profissão, os meus colegas mais velhos contavam-me vários episódios em que os jornalistas tomavam uma posição de força e, em conjunto, abandonavam conferências de imprensas onde o seu trabalho estava a ser boicotado. Nos 13 anos que levo de jornalistas não me recordo de alguma vez ter sido tomada uma posição semelhante. Mais uma vez, este não é um problema que deva apenas ser reflectido pela classe dos jornalistas, mas pela sociedade no seu todo.

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