
Confesso: nunca vi um programa do Larry King. O facto de não ter televisão por cabo em casa não é desculpa. Podia procurar os programas na Internet ou pedir a alguém para mos gravar. Mas não, nunca tive essa curiosidade. Não me perguntem porquê, porque não sei explicá-lo. Mas hoje, depois de o ouvir nas Conferências do Estoril, lamentei nunca o ter feito. Ele é simplesmente um senhor. Apesar do curriculo invejável (entrevistou mais de 50 mil pessoas ao longo da sua carreira), continua a ser um humilde "rapaz judeu de Brooklin", como ele próprio se descreve.
Com um óptimo sentido de humor, uma memória invejável e um trato correctíssimo, não tem a arrogância, o snobismo e a falta de humildade de muita gente que, acabada de chegar a este mundo dos media, julga tudo saber. Infelizmente, as redacções estão a ficar vazias destes jornalistas, que pela sua idade e experiência, muito têm a ensinar às novas gerações. Eles são a memória dos jornais, das rádios e das televisões, mas, como o próprio Larry King confessou, o facto de, por vezes, terem dificuldades em acompanhar os novos tempos, afasta-os das redacções.
Depois de ouvir Larry King, já não me sentirei tão angustiada quando um entrevistado me responder apenas com monossílabos - "sim", "não", "talvez". Isso aconteceu com o maior jornalista de todos os tempos. Depois de ouvir Larry King, fiquei ainda com mais vontade de ser jornalista. Depois de ouvir Larry King, apetece-me ver todos os seus programas. Alguém os tem?
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